Pterígio (Carne Crescida no Olho): Quando Operar e Como Evitar

Por Dr. Diego Mascato · CRM-AM 8807 · RQE 4628

7 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026

Se você mora em Manaus ou no interior do Amazonas e percebeu um crescimento avermelhado no canto do olho avançando em direção à íris — provavelmente é pterígio. Popularmente chamado de “carne crescida”, é uma das condições oftalmológicas mais comuns na região Norte do Brasil, e não por acaso: a combinação de alta exposição ao sol, vento e poeira cria o ambiente perfeito para seu desenvolvimento.

A boa notícia é que o pterígio tem tratamento definitivo. A má notícia é que muita gente espera demais para procurar um oftalmologista — e chega ao consultório com o tecido já avançando sobre a córnea, o que complica a cirurgia e aumenta o risco de recidiva.

Neste artigo: o que é pterígio, por que é tão comum em Manaus, como reconhecer as fases, quando a cirurgia é necessária e como evitar que apareça ou volte. Se a sua dúvida é sobre tratamento — colírio resolve? cirurgia é sempre necessária? — veja pterígio tem cura: o que funciona e o que não funciona.


O que é pterígio e por que aparece?

Pterígio é o crescimento anormal de tecido conjuntival — a membrana que reveste a parte branca do olho — sobre a córnea, a parte transparente central. Esse crescimento geralmente começa no canto interno do olho, próximo ao nariz, e avança lentamente em direção à pupila.

A causa principal é a exposição crônica à radiação ultravioleta. Manaus, praticamente na linha do Equador, tem uma das maiores incidências de UV do Brasil ao longo de todo o ano. Trabalhadores rurais, pescadores, construtores e qualquer pessoa que passe muitas horas ao sol sem proteção ocular estão no grupo de maior risco.

Outros fatores que contribuem:

  • Exposição frequente ao vento e à poeira
  • Ressecamento ocular crônico
  • Histórico familiar — há componente genético
  • Idade: mais comum após os 30 anos, mas pode ocorrer mais cedo em quem tem alta exposição solar

As quatro fases do pterígio

O pterígio costuma evoluir lentamente, em fases. Os sintomas variam conforme o estágio:

FaseO que acontece
🔴 InicialPequeno crescimento avermelhado no canto do olho. Sensação de areia, coceira e vermelhidão intermitente. Muitas pessoas confundem com conjuntivite
🟡 IntermediáriaO tecido avança sobre a córnea. Irritação mais frequente, olho seco e sensibilidade à luz. A aparência estética começa a incomodar
🟠 AvançadaDistorce a córnea, causando astigmatismo e embaçamento visual. Se atingir o eixo visual, a visão fica comprometida de forma significativa
⚪ InativoTecido esbranquiçado, plano e sem crescimento ativo. Pode ser monitorado clinicamente, mas a remoção pode ser indicada por razões estéticas ou funcionais

Quando a cirurgia é indicada?

Nem todo pterígio precisa ser operado imediatamente. A indicação depende de avaliação individualizada, mas em geral a cirurgia é recomendada quando:

  • O pterígio avança sobre a córnea e se aproxima do eixo visual
  • Há astigmatismo significativo causado pelo crescimento do tecido
  • Os sintomas não respondem ao tratamento clínico
  • Causa desconforto estético importante que afeta a qualidade de vida
  • Há crescimento ativo documentado em consultas consecutivas

⚠️ Não espere demais para consultar se:

  • A visão está embaçada ou distorcida
  • O crescimento está avançando rapidamente
  • O pterígio já está na metade do caminho entre o canto do olho e a pupila

A avaliação com lâmpada de fenda, parte da consulta oftalmológica completa, mede a extensão sobre a córnea e define em qual fase o seu caso está.


A cirurgia, em resumo

É um procedimento ambulatorial — o paciente vai, opera e volta para casa no mesmo dia. Realizada com anestesia local e dura em média 30 a 45 minutos.

O padrão-ouro atual é a técnica com enxerto conjuntival autólogo: após a remoção do pterígio, um pequeno pedaço de conjuntiva saudável do próprio paciente é transplantado para cobrir a área. A diferença é grande:

TécnicaRecidiva na literatura
Esclera nua, sem enxerto30% a 89%
Com enxerto conjuntival autólogo2% a 39%

A faixa do enxerto é larga porque depende muito do paciente e do ambiente. Um estudo prospectivo em região equatorial de alta radiação ultravioleta — cenário semelhante ao de Manaus — encontrou recidiva em torno de 13%, com risco maior em pacientes mais jovens. É por isso que aqui a proteção solar pós-operatória não é recomendação acessória: é parte do tratamento.

Os detalhes das técnicas cirúrgicas, o que esperar da recuperação e por que colírio não resolve estão neste artigo.

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Como evitar que o pterígio apareça ou volte

A prevenção é o mesmo conjunto de medidas, seja para quem nunca teve ou para quem já operou:

  • Óculos de sol com UV 400 — sempre que sair, mesmo em dias nublados. A radiação UV atravessa nuvens
  • Chapéu com aba larga — reduz a exposição solar nos olhos em até 50%
  • Evitar ambientes com muita poeira e vento — use óculos de proteção quando necessário
  • Lubrificação ocular — colírios lubrificantes ajudam a manter a superfície ocular saudável
  • Acompanhamento regular — consultas periódicas permitem identificar sinais precoces de recidiva

Dado importante: em Manaus, a recidiva do pterígio é mais frequente do que em outras regiões do Brasil justamente pela intensidade da exposição UV ao longo de todo o ano. Por isso, a proteção solar pós-operatória aqui não é opcional — é essencial.


Pterígio em Manaus: por que é tão comum?

O Amazonas concentra uma combinação de fatores que fazem do pterígio uma das condições oftalmológicas mais prevalentes da região:

Localização geográfica. Manaus está a apenas 3° ao sul da linha do Equador. A radiação solar incide quase perpendicularmente durante todo o ano — sem a atenuação que ocorre em latitudes maiores, como no Sul e Sudeste.

Atividades ao ar livre. Parcela significativa da população trabalha em atividades com alta exposição solar — agricultura, pesca, construção civil, transporte — muitas vezes sem proteção ocular adequada.

Cultura de prevenção ocular ainda em desenvolvimento. O hábito de usar óculos de sol como proteção, e não apenas como acessório, ainda não é universal. Muitas pessoas chegam ao consultório com pterígio avançado porque nunca associaram o uso de óculos à saúde dos olhos.

A mesma exposição solar que favorece o pterígio também antecipa o aparecimento de catarata — não é incomum atender pacientes com as duas condições.


Perguntas frequentes

Pterígio tem cura sem cirurgia?

Não. Uma vez formado, o pterígio não regride com colírios ou medicamentos. O tratamento clínico alivia os sintomas e pode retardar a progressão, mas a remoção definitiva é sempre cirúrgica. Entenda em detalhe por que colírio não resolve. O pterígio pode cegar?

Em casos muito avançados e sem tratamento, o pterígio pode cobrir o eixo visual central e causar perda visual significativa. Mas isso é evitável com acompanhamento adequado e cirurgia no momento certo. A maioria dos casos tratados tem excelente resultado visual. Posso ter pterígio nos dois olhos?

Sim. O pterígio bilateral é comum, especialmente em pessoas com alta exposição solar. Cada olho é avaliado e operado separadamente, com intervalo de algumas semanas entre os procedimentos. Como diferenciar pterígio de conjuntivite?

A conjuntivite causa vermelhidão difusa em todo o olho, geralmente com secreção, e melhora em dias. O pterígio é um crescimento localizado, com forma definida, que não desaparece e avança lentamente ao longo de meses ou anos. Na dúvida, o exame na lâmpada de fenda diferencia com clareza. Onde fazer cirurgia de pterígio em Manaus?

O Dr. Diego Mascato (CRM-AM 8807 · RQE 4628) realiza cirurgia de pterígio com enxerto conjuntival autólogo no Julia Herrera Hospital de Olhos, Adrianópolis, Manaus. Atende de segunda a sexta das 10h às 12h e das 13h30 às 19h30, e aos sábados das 8h às 12h. Agendamento pelo WhatsApp (92) 98639-6149.


Escrito e revisado por

Dr. Diego Lucena Mascato

CRM-AM 8807 · RQE 4628 — Oftalmologista Cirurgião

Graduado em Medicina pela UFAM, com residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM) e fellowship em Catarata e Glaucoma em São Paulo. Especialista em cirurgia de catarata com lentes premium, controle de glaucoma e remoção de pterígio com enxerto conjuntival autólogo. Atende no Julia Herrera Hospital de Olhos — acreditação ONA Nível 3, Manaus – AM. Conheça a formação completa →

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem a orientação de um médico oftalmologista. As taxas de recidiva citadas são faixas descritas na literatura científica e variam conforme o caso individual, a técnica empregada e os cuidados pós-operatórios. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

2 comentários em “Pterígio (Carne Crescida no Olho): Quando Operar e Como Evitar”

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