Por Dr. Diego Mascato · CRM-AM 8807 · RQE 4628
6 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026
“Doutor, tem algum colírio que faz isso sumir?” É a pergunta que mais ouço no consultório sobre pterígio. A resposta honesta é não — mas isso está longe de significar que não há solução.
Se você notou algo crescendo no canto do olho e chegou aqui buscando se dá para resolver sem cirurgia, este artigo responde três coisas: o que funciona, o que não funciona, e quando operar passa a ser necessário.
Este artigo é sobre tratamento. Se você ainda não sabe se o que tem é pterígio, comece por o que é pterígio, as fases e como reconhecer.
O que é pterígio, em palavras simples
Pterígio é o crescimento de um tecido em forma de asa — o nome vem do grego pterygion, asa pequena — que avança da conjuntiva, a parte branca do olho, em direção à córnea.
Popularmente é chamado de carne crescida no olho. É uma membrana rosada ou avermelhada, geralmente do lado interno do olho, mais perto do nariz.
Não é câncer, não é infecção e não é contagioso. É a resposta do tecido ocular a uma agressão crônica — principalmente radiação ultravioleta, associada a vento e poeira.
Então, tem cura ou não tem?
A resposta mais honesta:
Não existe colírio, pomada, suplemento ou remédio caseiro que faça o pterígio desaparecer. Uma vez que o tecido cresceu, não regride sozinho e não há substância que o dissolva. Quem promete isso está errado ou agindo de má-fé.
O único tratamento que remove o pterígio é a cirurgia. Não é o que a maioria quer ouvir, mas entender isso evita meses ou anos tentando alternativas enquanto o pterígio segue crescendo.
O ponto que importa: “não tem cura sem cirurgia” não é a mesma coisa que “não tem solução”. A cirurgia atual, feita com a técnica correta, tem bons resultados e reduz substancialmente a chance de o pterígio voltar. Só não é remédio de farmácia.
Por que colírio não resolve
Colírios para pterígio — lubrificantes ou anti-inflamatórios — tratam o sintoma, não a causa. Aliviam vermelhidão, ardência e sensação de areia, que aparecem quando o pterígio inflama. Isso é real e útil: reduz o desconforto diário.
O que o colírio não faz é remover o tecido que já cresceu. É como tomar analgésico para uma pedra no sapato — a dor diminui, a pedra continua lá.
Em fases bem iniciais, lubrificação associada a proteção solar rigorosa pode desacelerar a progressão. Mas depois que o pterígio avança o suficiente para incomodar a visão ou se aproximar da córnea, colírio deixa de ser suficiente.
Quando a cirurgia é indicada
Nem todo pterígio precisa ser operado de imediato. A decisão considera:
- Avanço em direção ao eixo visual — se alcançar a área sobre a pupila, pode deixar sequela visual permanente
- Astigmatismo induzido — o tecido distorce a curvatura da córnea e embaça a visão antes mesmo de chegar ao centro
- Desconforto persistente — sintomas que não melhoram com lubrificante
- Incômodo estético que afeta a qualidade de vida
- Progressão documentada — crescimento visível entre consultas
Pterígio pequeno, estável, longe da córnea e sem sintomas pode ser acompanhado com consultas periódicas. É o exame na lâmpada de fenda, parte da consulta oftalmológica completa, que define o cenário.
Atenção: qualquer lesão na superfície ocular que cresça rapidamente, sangre, mude de cor ou tenha aspecto irregular precisa de avaliação sem demora. Nem toda lesão avermelhada no olho é pterígio.
Por que a técnica cirúrgica importa mais que a decisão de operar
Esta é a informação que menos aparece nas buscas sobre pterígio, e a mais relevante depois de decidir pela cirurgia.
Nem toda cirurgia de pterígio é igual. A diferença entre as técnicas está diretamente ligada ao risco de recidiva — o pterígio voltar depois de removido.
| Técnica | Recidiva na literatura | Situação atual |
|---|---|---|
| Esclera nua remoção sem cobertura | 30% a 89% | Técnica antiga, hoje desaconselhada pela alta recidiva |
| Enxerto conjuntival autólogo | 2% a 39% | Padrão de referência desde 1985 |
No enxerto conjuntival autólogo, após remover o pterígio, um fragmento de conjuntiva saudável do próprio olho do paciente é posicionado sobre a área. Ele funciona como barreira biológica que dificulta o tecido de voltar a crescer.
Por que a faixa é tão larga — e o que isso significa em Manaus: a recidiva com enxerto varia de 2% a 39% justamente porque depende muito do paciente e do ambiente. Um estudo prospectivo realizado em região equatorial de alta radiação ultravioleta — cenário muito parecido com o nosso — encontrou recidiva de cerca de 13% após excisão primária com enxerto conjuntival-límbico, com maior risco em pacientes mais jovens.
Ou seja: aqui não é realista prometer 2% ou 3%. É realista dizer que a técnica correta reduz drasticamente o risco — e que a proteção solar depois da cirurgia faz parte do tratamento, não é recomendação acessória.
Vale perguntar diretamente ao cirurgião qual técnica será usada. É uma pergunta legítima, e a resposta diz muito.
Como é a recuperação
A cirurgia é ambulatorial, não exige internação. O olho fica vermelho e sensível nos primeiros dias — parte esperada da cicatrização, não sinal de complicação.
- Primeiros dias: vermelhidão importante, sensação de corpo estranho, lacrimejamento
- Primeira semana: melhora progressiva do desconforto, retorno gradual às atividades
- Primeiras semanas: a vermelhidão no local do enxerto diminui lentamente
Colírios anti-inflamatórios e lubrificantes são usados no pós-operatório, com esquema definido caso a caso. As restrições iniciais envolvem evitar exposição solar direta, água nos olhos e esforço físico intenso.
Parte do desconforto pós-operatório se confunde com sintomas de olho seco, e a lubrificação ajuda nos dois.
Prevenção — antes e depois da cirurgia
As mesmas medidas valem para quem nunca teve e para quem já operou:
- Óculos de sol com proteção UV, usados de forma consistente. Modelos que cobrem as laterais protegem mais, porque boa parte da radiação chega de lado
- Chapéu ou boné com aba, que reduz a luz incidente de cima
- Lubrificante ocular para quem se expõe a vento e poeira com frequência
Como a radiação UV é o principal fator associado ao pterígio, seguir exposto sem proteção aumenta o risco de recidiva mesmo com boa técnica cirúrgica. Os fatores locais de Manaus que tornam o pterígio tão prevalente estão detalhados aqui.
Perguntas frequentes
O pterígio pode virar câncer?
Pterígio é lesão benigna e não evolui para câncer. Existem, porém, outras lesões da superfície ocular que podem se parecer com ele e têm comportamento diferente. Por isso qualquer lesão de crescimento rápido, aspecto irregular ou mudança de cor precisa ser examinada. A cirurgia dói?
O procedimento é feito com anestesia local e o paciente não sente dor durante. No pós-operatório é comum haver desconforto e sensação de areia nos primeiros dias, controlados com colírios. Qual a chance real de o pterígio voltar?
Depende sobretudo da técnica e do ambiente. Com enxerto conjuntival autólogo, a literatura reporta recidiva entre 2% e 39%. Em regiões equatoriais de alta exposição solar, como a nossa, estudos apontam algo em torno de 13%. Pacientes mais jovens têm risco maior. A proteção solar rigorosa no pós-operatório é o fator que você mais consegue controlar. Posso operar os dois olhos no mesmo dia?
Em geral opera-se um olho por vez, com intervalo entre os procedimentos. Isso permite acompanhar a cicatrização do primeiro e mantém o paciente com visão confortável durante a recuperação. Convênio cobre a cirurgia de pterígio?
A cirurgia consta no Rol de Procedimentos da ANS e costuma ter cobertura quando há indicação médica documentada. A confirmação depende da operadora e do plano — vale verificar antes de agendar. Onde tratar pterígio em Manaus?
O Dr. Diego Mascato (CRM-AM 8807 · RQE 4628) realiza cirurgia de pterígio com enxerto conjuntival autólogo no Julia Herrera Hospital de Olhos, em Adrianópolis. Atendimento de segunda a sexta das 10h às 12h e das 13h30 às 19h30, e aos sábados das 8h às 12h. Agendamento pelo WhatsApp (92) 98639-6149.
Resumindo
- Pterígio não desaparece sozinho e nenhum remédio o dissolve
- Colírio alivia sintoma, não remove o tecido
- Cirurgia é o único tratamento definitivo — mas nem todo caso precisa operar agora
- A técnica importa: enxerto conjuntival reduz muito a recidiva em comparação com a esclera nua
- Em região de alta radiação UV como Manaus, a proteção solar após a cirurgia é parte do tratamento
Se você notou esse crescimento no olho e está em dúvida, a avaliação presencial define se o seu caso pede observação ou cirurgia — e, se for cirurgia, qual técnica seu olho pede.
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Escrito e revisado por
Dr. Diego Lucena Mascato
CRM-AM 8807 · RQE 4628 — Médico Oftalmologista Cirurgião
Graduado em Medicina pela UFAM, com residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM) e fellowship em Catarata e Glaucoma em São Paulo. Especialista em cirurgia de catarata com lentes premium, controle de glaucoma e remoção de pterígio com enxerto conjuntival autólogo. Atende no Julia Herrera Hospital de Olhos — acreditação ONA Nível 3, Manaus – AM. Conheça a formação completa →
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem a orientação de um médico oftalmologista. As taxas de recidiva citadas são faixas descritas na literatura científica e variam conforme o caso individual, a técnica empregada e os cuidados pós-operatórios. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
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