Por Dr. Diego Mascato · CRM-AM 8807 · RQE 4628
8 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026
O glaucoma recebe o apelido de “ladrão silencioso da visão” com razão: ele rouba a visão devagar, sem dor, sem aviso, sem sintomas perceptíveis — até que o dano já é significativo e, em grande parte, irreversível. É a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata. E ao contrário da catarata, o que o glaucoma tira não volta com cirurgia.
A boa notícia é que o glaucoma diagnosticado precocemente pode ser controlado e a visão preservada por toda a vida. O problema é que a maioria das pessoas só descobre quando já perdeu uma parcela considerável do campo visual — porque simplesmente não sentiu nada antes disso.
Neste artigo: o que é glaucoma, por que é tão perigoso, quem está em risco, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis em Manaus.
O que é glaucoma?
Glaucoma é um grupo de doenças que danificam o nervo óptico — o cabo de fibras nervosas que conecta o olho ao cérebro e transmite as imagens que enxergamos. Na maioria dos casos, esse dano é causado por pressão intraocular elevada, que comprime e destrói progressivamente as fibras do nervo.
Dentro do olho circula um fluido chamado humor aquoso, produzido continuamente e drenado por um sistema de canais. Quando essa drenagem é prejudicada, a pressão aumenta. Com o tempo, essa pressão elevada danifica o nervo óptico de forma irreversível.
Importante: nem todo glaucoma cursa com pressão elevada — existe o glaucoma de pressão normal, onde o nervo é danificado mesmo com pressões dentro da faixa considerada normal. Por isso a medição isolada da pressão não é suficiente para descartar a doença.
Por que o glaucoma é chamado de ladrão silencioso?
O tipo mais comum — o glaucoma crônico de ângulo aberto — é assintomático nas fases iniciais e intermediárias. Isso acontece por dois motivos:
Primeiro: a perda visual começa pelas bordas do campo visual, não pelo centro. A visão central, que usamos para ler e reconhecer rostos, é a última a ser afetada. O paciente continua enxergando bem de frente enquanto perde progressivamente as bordas.
Segundo: o cérebro compensa automaticamente as áreas perdidas, “preenchendo” os buracos no campo visual com informações do outro olho. A pessoa literalmente não percebe o que está perdendo — até que a perda é extensa demais para ser compensada.
Dado preocupante: estima-se que metade das pessoas com glaucoma no Brasil não sabe que tem a doença. Em regiões com menor acesso a cuidados oftalmológicos regulares, como muitos municípios do Amazonas, essa proporção pode ser ainda maior.
Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma?
| Fator de risco | Por quê |
|---|---|
| 👨👩👧 Histórico familiar | Pai, mãe, irmão ou filho com glaucoma aumenta o risco em até 10 vezes. É o fator mais importante |
| 📅 Idade acima de 40 anos | A prevalência aumenta significativamente após os 40 e continua crescendo com a idade |
| 🩸 Diabetes | Diabéticos têm risco aumentado de glaucoma e outras doenças oculares. Exame anual é obrigatório |
| 👓 Miopia alta | Míopes com grau elevado têm nervo óptico mais vulnerável |
| 💊 Uso de corticoides | Uso prolongado — colírios, comprimidos ou pomadas — pode elevar a pressão intraocular |
| 🫀 Pressão intraocular elevada | Hipertensão ocular sem glaucoma ainda exige acompanhamento — é o principal fator modificável |
Glaucoma agudo: a exceção que dói
Existe um tipo menos comum mas muito mais dramático: o glaucoma agudo de fechamento angular. Nesse caso, a drenagem do humor aquoso é bloqueada de repente, causando elevação abrupta e intensa da pressão intraocular.
🚨 Procure atendimento de emergência imediatamente se tiver:
- Dor intensa no olho ou ao redor dele
- Visão embaçada de início súbito em um olho
- Halos coloridos ao redor das luzes
- Náusea e vômito associados à dor ocular
- Olho vermelho intenso
Sem tratamento nas primeiras horas, pode causar cegueira permanente.
Como é feito o diagnóstico de glaucoma?
O diagnóstico não pode ser feito por um único exame. Requer avaliação completa que combina vários dados:
- Tonometria — medição da pressão intraocular. Rápida, indolor e feita em toda consulta oftalmológica de rotina
- Oftalmoscopia — exame direto do nervo óptico com lâmpada de fenda, procurando sinais de dano
- OCT — mede a espessura das fibras do nervo óptico com altíssima precisão. Detecta perda de fibras antes mesmo de aparecer no campo visual
- Campimetria computadorizada — mapeia o campo visual e identifica áreas de perda. Fundamental para acompanhar a progressão
- Gonioscopia — exame do ângulo de drenagem, que determina o tipo de glaucoma
- Paquimetria — medição da espessura da córnea, que influencia a interpretação dos valores de pressão
Tem histórico familiar de glaucoma ou mais de 40 anos?
Não espere os sintomas. Agende sua avaliação completa. Quero agendar minha avaliação
Tratamento do glaucoma
O objetivo é reduzir e estabilizar a pressão intraocular para um nível que o nervo óptico consiga tolerar sem continuar sendo danificado. O tratamento não recupera o que já foi perdido — mas impede que mais seja perdido.
1. Colírios
Primeira linha na maioria dos casos. Atuam reduzindo a produção de humor aquoso ou facilitando sua drenagem. Devem ser usados diariamente, com rigor — a adesão ao tratamento é o principal fator de controle da doença.
2. Laser (trabeculoplastia ou iridotomia)
Procedimento ambulatorial, rápido e indolor. O laser melhora a drenagem do humor aquoso. Pode ser indicado como complemento aos colírios ou como alternativa em casos selecionados.
3. Cirurgia (trabeculectomia ou dispositivos de drenagem)
Indicada quando colírios e laser não são suficientes. Cria uma nova via de drenagem para o humor aquoso, reduzindo a pressão de forma mais efetiva e duradoura.
Glaucoma tem cura?
Não — o glaucoma não tem cura. Mas essa resposta precisa de contexto: com tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes preserva a visão funcional por toda a vida. A doença é controlável, não curável.
O que não volta é o dano já causado ao nervo óptico. As fibras nervosas destruídas não se regeneram — por isso o diagnóstico precoce é tão crítico. Quanto antes se inicia o tratamento, menor é a perda acumulada.
Por isso o glaucoma exige acompanhamento oftalmológico regular e permanente — não é uma doença que se trata e pronto. É condição crônica que precisa ser monitorada continuamente, com ajuste do tratamento conforme a resposta de cada paciente.
Com que frequência devo fazer exames?
| Perfil | Frequência |
|---|---|
| Sem fatores de risco, até 40 anos | A cada 2–5 anos |
| Acima de 40 anos ou com fator de risco | Anual |
| Histórico familiar de glaucoma | Anual a partir dos 35 anos |
| Diagnóstico estabelecido | Consultas a cada 3–6 meses, com campimetria e OCT periódicos |
| Diabéticos | Anual, independentemente da idade |
Os intervalos gerais para cada perfil estão detalhados em quando fazer exame de vista.
Perguntas frequentes
Glaucoma tem cura?
O glaucoma não tem cura, mas tem controle. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado é possível estabilizar a doença e preservar a visão por toda a vida. O dano já causado ao nervo óptico é irreversível — por isso detectar cedo é fundamental. Quais são os sintomas do glaucoma?
O tipo mais comum não causa dor e praticamente não tem sintomas nas fases iniciais. A perda visual começa pelas bordas do campo visual e o cérebro compensa automaticamente, tornando a doença imperceptível até fases avançadas. O diagnóstico depende de exames regulares. Pressão alta nos olhos significa glaucoma?
Não necessariamente. Pressão intraocular elevada é fator de risco importante, mas não é sinônimo de doença. Existem pessoas com pressão elevada que nunca desenvolvem glaucoma, e pessoas com pressão normal que desenvolvem. Entenda a diferença entre hipertensão ocular e glaucoma. Posso parar o colírio se a pressão normalizar?
Não. A pressão normaliza justamente porque o colírio está funcionando. Interromper o tratamento por conta própria faz a pressão subir novamente e o nervo óptico voltar a ser danificado. Qualquer ajuste deve ser feito com orientação médica. Onde fazer acompanhamento de glaucoma em Manaus?
O Dr. Diego Mascato (CRM-AM 8807 · RQE 4628) fez fellowship em Catarata e Glaucoma e realiza diagnóstico e acompanhamento de glaucoma no Julia Herrera Hospital de Olhos, Adrianópolis, Manaus. Atende de segunda a sexta das 10h às 12h e das 13h30 às 19h30, e aos sábados das 8h às 12h. Agendamento pelo WhatsApp (92) 98639-6149.
Escrito e revisado por
Dr. Diego Lucena Mascato
CRM-AM 8807 · RQE 4628 — Oftalmologista Cirurgião
Graduado em Medicina pela UFAM, com residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM) e fellowship em Catarata e Glaucoma em São Paulo. Especialista em cirurgia de catarata com lentes premium, controle de glaucoma e remoção de pterígio. Atende no Julia Herrera Hospital de Olhos — acreditação ONA Nível 3, Manaus – AM. Conheça a formação completa →
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem a orientação de um médico oftalmologista. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Pingback: Exame de Vista: Quando Fazer e O Que Esperar da Consulta Oftalmológica – Diego Mascato
Pingback: Retinopatia Diabética: O Que É, Sintomas e Como Prevenir a Perda de Visão - Diego Mascato