Por Dr. Diego Mascato · CRM-AM 8807 · RQE 4628
7 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026
“Estou enxergando bem, não preciso de exame.” Essa é uma das frases que mais ouço no consultório — e uma das mais perigosas.
A maior parte das doenças oculares graves, como glaucoma e retinopatia diabética, não causam sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Quando a visão começa a piorar, o dano muitas vezes já é significativo.
O exame oftalmológico de rotina não é só para quem enxerga mal ou precisa de óculos. É para qualquer pessoa que queira manter a saúde ocular e detectar problemas antes que causem dano irreversível.
Neste artigo: com que frequência fazer o exame de vista, o que acontece durante a consulta oftalmológica completa, quando é urgente e como se preparar para aproveitar melhor a consulta.
Com que frequência devo fazer o exame de vista?
A frequência ideal depende da sua idade e dos seus fatores de risco:
| Perfil | Frequência recomendada |
|---|---|
| Crianças (0–3 anos) | Primeiro exame antes dos 3 anos, ou antes se houver suspeita |
| Crianças (3–18 anos) | A cada 1–2 anos, ou conforme orientação médica |
| Adultos sem fatores de risco (18–40) | A cada 2 anos |
| Adultos acima de 40 anos | Anualmente — risco de catarata e glaucoma aumenta |
| Diabéticos (qualquer idade) | Anualmente — risco de retinopatia diabética |
| Histórico familiar de glaucoma | Anualmente a partir dos 35 anos |
| Usuários de óculos ou lentes | Anualmente para atualizar o grau |
| Hipertensos | Anualmente — hipertensão afeta os vasos da retina |
Regra simples: se você tem mais de 40 anos ou qualquer fator de risco, o exame deve ser anual. Abaixo de 40 e sem fatores de risco, a cada 2 anos é suficiente — salvo se aparecer qualquer sintoma antes.
O que acontece durante a consulta oftalmológica?
Muita gente adia o exame por não saber o que esperar. A consulta oftalmológica completa é indolor, não invasiva na grande maioria das etapas e dura entre 30 minutos e 1 hora — mais se incluir dilatação das pupilas.
1. Anamnese
O médico pergunta sobre seus sintomas, histórico de saúde, medicamentos em uso, histórico familiar de doenças oculares e quando foi o último exame. Seja detalhado — essas informações orientam toda a avaliação.
2. Acuidade visual
O famoso teste da tabela de letras. Avalia o quanto você enxerga com e sem correção. É rápido e indolor — você simplesmente lê as linhas que consegue enxergar.
3. Refração (grau dos óculos)
Com um equipamento chamado refratômetro, o médico determina se você precisa de óculos e qual é o grau correto para cada olho — incluindo miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.
4. Tonometria (pressão intraocular)
Medição da pressão dentro do olho com um equipamento chamado tonômetro. Essencial para rastrear glaucoma. É rápido e pode ser feito com sopro de ar ou com instrumento após anestesia local com colírio. Entenda o que significa pressão alta nos olhos.
5. Biomicroscopia (lâmpada de fenda)
Com uma lâmpada de fenda, o médico examina as estruturas frontais do olho: pálpebras, conjuntiva, córnea, cristalino e câmara anterior. É aqui que catarata, pterígio e outras condições superficiais são detectadas.
6. Fundo de olho (oftalmoscopia)
Exame da retina, nervo óptico e mácula. Geralmente requer dilatação das pupilas com colírio — o efeito demora 20–30 minutos para fazer e algumas horas para passar. É fundamental para detectar glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular.
Quando procurar um oftalmologista com urgência?
Além do exame de rotina, alguns sintomas exigem avaliação no mesmo dia:
🚨 Emergência — mesmo dia
- Perda súbita de visão — em um ou nos dois olhos, mesmo parcial ou temporária. Pode indicar oclusão vascular, AVC ou descolamento de retina
- Chuva de pontos escuros — surgimento repentino de muitos pontos flutuantes pode indicar hemorragia vítrea ou descolamento de retina
- Dor intensa no olho — especialmente com visão embaçada, vermelhidão e náusea. Pode ser glaucoma agudo
- Visão como cortina — sombra cobrindo parte do campo visual, sinal clássico de descolamento de retina
⚠️ Avaliação em poucos dias
- Visão embaçada progressiva — que piora ao longo de semanas ou meses. Pode ser catarata, glaucoma ou outras condições tratáveis
- Vermelhidão persistente — que não melhora em 2–3 dias com colírio lubrificante. Pode ser conjuntivite bacteriana, uveíte, olho seco ou outras condições
Quando foi seu último exame de vista?
Se faz mais de um ano — ou se você nunca foi ao oftalmologista — agende agora. Quero agendar minha consulta
Como se preparar para a consulta
Algumas dicas para aproveitar melhor o exame oftalmológico:
- Leve seus óculos atuais — o médico vai avaliar se o grau ainda está correto
- Leve as embalagens dos colírios que usa — alguns medicamentos afetam a pressão ocular e outras funções
- Anote seus sintomas antes de ir — quando começaram, o que melhora ou piora, se afeta um ou os dois olhos
- Não dirija se souber que fará dilatação — o colírio dilatador deixa a visão embaçada por algumas horas
- Leve óculos de sol — após a dilatação os olhos ficam sensíveis à luz
- Informe se usa lentes de contato — algumas precisam ser removidas antes de certos exames
- Conte seu histórico familiar — glaucoma, catarata precoce e degeneração macular têm componente genético importante
Exame de vista ou consulta oftalmológica — qual a diferença?
É comum confundir os dois.
O exame de vista popular — aquele feito em óticas — avalia apenas a acuidade visual e determina o grau para óculos. Ele não inclui medição de pressão, exame de retina, avaliação do nervo óptico ou diagnóstico de doenças oculares.
A consulta oftalmológica completa é realizada por médico oftalmologista e inclui tudo isso — além da capacidade de diagnosticar e tratar condições como glaucoma, catarata, retinopatia e pterígio. São duas coisas diferentes com finalidades diferentes.
Prática recomendada: usar a ótica para ajuste rápido de grau está tudo bem. Mas o exame oftalmológico completo com médico especialista deve ser feito com a frequência recomendada para o seu perfil — independentemente de onde você compra seus óculos.
Perguntas frequentes
Com que frequência devo fazer exame de vista?
Para adultos sem fatores de risco: a cada 2 anos até os 40 anos e anualmente após os 40. Para diabéticos, hipertensos, pessoas com histórico familiar de glaucoma ou usuários de óculos: exame anual independentemente da idade. O exame de vista dói?
Não. A consulta oftalmológica é indolor. O colírio dilatador pode causar ardência leve por alguns segundos ao ser aplicado, e após a dilatação os olhos ficam sensíveis à luz por algumas horas — o que pode ser desconfortável mas não é doloroso. Posso dirigir depois da dilatação?
Não é recomendado. O colírio dilatador causa visão embaçada e sensibilidade à luz por 4 a 6 horas. Planeje ir acompanhado ou usar transporte por aplicativo no dia do exame de fundo de olho. Criança precisa fazer exame de vista?
Sim. O primeiro exame deve ser feito antes dos 3 anos. Problemas como ambliopia (olho preguiçoso), estrabismo e erros refrativos detectados cedo têm tratamento muito mais eficaz. Criança raramente se queixa de enxergar mal — simplesmente porque não sabe como é enxergar bem. Onde fazer consulta oftalmológica em Manaus?
O Dr. Diego Mascato (CRM-AM 8807 · RQE 4628) realiza consultas e exames oftalmológicos completos no Julia Herrera Hospital de Olhos, Adrianópolis, Manaus. Atende de segunda a sexta das 10h às 12h e das 13h30 às 19h30, e aos sábados das 8h às 12h. Agendamento pelo WhatsApp (92) 98639-6149.
Escrito e revisado por
Dr. Diego Lucena Mascato
CRM-AM 8807 · RQE 4628 — Médico Oftalmologista Cirurgião
Graduado em Medicina pela UFAM, com residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM) e fellowship em Catarata e Glaucoma em São Paulo. Especialista em cirurgia de catarata com lentes premium, controle de glaucoma e remoção de pterígio. Mais de 10.000 cirurgias realizadas. Atende no Julia Herrera Hospital de Olhos — acreditação ONA Nível 3, Manaus – AM. Conheça a formação completa →
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem a orientação de um médico oftalmologista. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
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