Por Dr. Diego Mascato · CRM-AM 8807 · RQE 4628
8 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026
O diabetes é uma doença sistêmica — afeta o coração, os rins, os nervos e, de forma muito significativa, os olhos. A retinopatia diabética é a complicação ocular mais comum do diabetes e a principal causa de cegueira evitável em adultos em idade produtiva no Brasil.
O que torna essa condição especialmente perigosa é o mesmo que torna o glaucoma traiçoeiro: nas fases iniciais, não causa nenhum sintoma. O paciente enxerga bem, não sente dor, não percebe nada de diferente — enquanto os vasos sanguíneos da retina vão sendo progressivamente danificados.
Quando os sintomas aparecem, o dano muitas vezes já é avançado. Por isso, o exame de fundo de olho anual não é recomendação opcional para diabéticos — é necessidade médica.
Como o diabetes danifica os olhos?
A retina é o tecido sensível à luz que reveste o fundo do olho — é ela que capta as imagens e as transmite ao cérebro pelo nervo óptico. Para funcionar, depende de uma rede densa de pequenos vasos sanguíneos.
O excesso de glicose no sangue, característico do diabetes mal controlado, danifica progressivamente esses vasos. As paredes dos capilares ficam mais frágeis, podendo vazar fluido ou sangue para dentro da retina. Com o tempo, os vasos danificados podem se fechar, criando áreas sem irrigação.
Em resposta, o olho tenta compensar formando novos vasos — mas esses novos vasos são anormais, frágeis e sangram facilmente, o que caracteriza a fase mais grave da doença.
Os quatro estágios da retinopatia diabética
| Estágio | O que acontece |
|---|---|
| 1. Não proliferativa leve | Microaneurismas — pequenas dilatações nos capilares — são os primeiros sinais. Geralmente sem sintomas. Detectável apenas no exame de fundo de olho |
| 2. Não proliferativa moderada | Mais vasos comprometidos. Podem aparecer hemorragias, exsudatos e edema. A visão pode começar a ser afetada se o edema atingir a mácula |
| 3. Não proliferativa grave | Muitos vasos bloqueados, criando áreas extensas sem irrigação. Alto risco de progressão. Acompanhamento e tratamento urgentes |
| 4. Proliferativa | Formação de novos vasos anormais. Alto risco de hemorragia vítrea, descolamento de retina e glaucoma neovascular. Tratamento imediato é essencial |
Edema macular diabético: pode ocorrer em qualquer estágio e é a principal causa de perda visual por diabetes. Acontece quando fluido vaza dos vasos e se acumula na mácula — região central da retina responsável pela visão de detalhe. Pacientes com edema macular percebem visão embaçada central que afeta leitura e reconhecimento de rostos.
Quem tem mais risco?
| Fator | Por quê |
|---|---|
| ⏱️ Tempo de diabetes | Após 20 anos, cerca de 80% dos diabéticos tipo 1 apresentam algum grau de retinopatia |
| 📈 Controle glicêmico ruim | HbA1c elevada é o principal fator modificável. Cada ponto percentual de redução diminui significativamente o risco de progressão |
| 🫀 Hipertensão arterial | Acelera o dano aos vasos da retina. Controlar a pressão é tão importante quanto controlar a glicemia |
| 🩸 Dislipidemia | Colesterol e triglicerídeos elevados contribuem para o acúmulo de exsudatos, especialmente no edema macular |
| 🤰 Gestação | A gravidez pode acelerar a progressão. Gestantes diabéticas precisam de acompanhamento frequente durante toda a gestação |
| 🚭 Tabagismo | Agrava a doença vascular sistêmica e aumenta o risco de complicações oculares |
Diabéticos também desenvolvem catarata mais cedo — em média 10 a 15 anos antes de pessoas sem diabetes. As duas condições frequentemente coexistem.
Sintomas — quando aparecem, o que significam
As fases iniciais são silenciosas. Quando os sintomas aparecem, geralmente indicam progressão:
- Visão embaçada — especialmente central, pode indicar edema macular
- Moscas volantes e pontos flutuantes — podem indicar hemorragia no vítreo
- Manchas escuras ou vazios no campo visual — áreas da retina sem função
- Dificuldade para enxergar à noite
- Cores desbotadas ou alteradas
- Perda súbita de visão — emergência, pode indicar hemorragia vítrea ou descolamento de retina
🚨 Procure atendimento imediato se:
- Perda súbita de visão em um ou nos dois olhos
- Chuva de pontos escuros que apareceu de repente
- Visão como se houvesse uma cortina cobrindo parte do campo visual
Tem diabetes e não fez exame de retina este ano?
O dano começa silencioso. Não espere os sintomas para cuidar da sua visão. Quero agendar meu exame de retina
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pelo oftalmologista através do exame de fundo de olho, realizado com colírio para dilatar a pupila. O exame permite visualizar diretamente os vasos da retina, o nervo óptico e a mácula — e faz parte da consulta oftalmológica completa.
Exames complementares que podem ser solicitados:
- OCT — imagem de alta resolução da retina em corte, fundamental para detectar e monitorar o edema macular
- Angiofluoresceinografia — injeção de contraste na veia para fotografar a circulação da retina e identificar vazamentos e áreas sem perfusão
- Retinografia colorida — fotografia da retina para documentação e acompanhamento da progressão
Tratamento da retinopatia diabética
1. Controle sistêmico — a base de tudo
Controlar a glicemia, pressão arterial e colesterol é a medida mais eficaz para retardar a progressão. Nenhum tratamento ocular substitui o bom controle clínico do diabetes.
2. Injeções intravítreas (anti-VEGF)
Medicamentos injetados diretamente no vítreo para reduzir o edema macular e inibir o crescimento de vasos anormais. É o tratamento padrão para edema macular diabético e retinopatia proliferativa.
3. Fotocoagulação a laser
O laser sela vasos que estão vazando e trata áreas da retina sem perfusão, reduzindo o estímulo para formação de novos vasos anormais. Pode ser focal ou em panfotocoagulação.
4. Cirurgia (vitrectomia)
Indicada em hemorragia vítrea que não clareou espontaneamente, descolamento de retina tracional ou membranas que distorcem a mácula. A vitrectomia remove o vítreo e trata as complicações diretamente.
Prevenção: o que você pode fazer agora
A retinopatia diabética é em grande parte evitável e controlável com as medidas certas:
- Controle rigoroso da glicemia — mantenha a HbA1c dentro da meta definida pelo seu médico
- Controle da pressão arterial — alvo geralmente abaixo de 130/80 mmHg para diabéticos
- Controle do colesterol e triglicerídeos
- Exame de fundo de olho anual — mesmo sem sintomas
- Não fumar — o tabagismo agrava significativamente a doença vascular
- Atividade física regular — melhora o controle glicêmico e a saúde vascular
- Adesão ao tratamento — use os medicamentos prescritos corretamente
Contexto local: Manaus e o interior do Amazonas têm índices de diabetes acima da média nacional. Somado ao acesso historicamente limitado a especialistas, isso resulta em muitos pacientes chegando ao consultório com retinopatia já avançada. Se você tem diabetes e nunca fez exame de retina — ou não faz há mais de um ano — agende agora.
Perguntas frequentes
Retinopatia diabética tem cura?
Não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com controle adequado do diabetes e acompanhamento oftalmológico regular, é possível estabilizar a doença e prevenir a perda visual grave. O dano já instalado pode ser parcialmente tratado, mas a prevenção da progressão é sempre o melhor caminho. Todo diabético vai perder a visão?
Não. A cegueira por retinopatia diabética é em grande parte evitável. Com diagnóstico precoce, controle glicêmico adequado e tratamento quando necessário, a maioria dos diabéticos preserva a visão funcional por toda a vida. O problema é que muitos descobrem a retinopatia tarde demais — por isso o exame anual é fundamental. Com que frequência diabéticos devem fazer exame de olho?
Diabéticos tipo 1: iniciar acompanhamento 5 anos após o diagnóstico e repetir anualmente. Tipo 2: exame no momento do diagnóstico e pelo menos uma vez por ano. Se houver retinopatia já diagnosticada, a frequência aumenta para cada 3 a 6 meses conforme o estágio. Gestantes diabéticas devem ser avaliadas no primeiro trimestre. A injeção no olho dói?
A injeção intravítrea é realizada com anestesia local e a maioria dos pacientes relata apenas leve pressão, sem dor. O desconforto pós-procedimento costuma ser mínimo e passa em poucas horas. É procedimento ambulatorial rápido, com duração de poucos minutos. Diabético pode operar catarata?
Sim, com excelentes resultados quando o diabetes está controlado — mas a retinopatia precisa ser avaliada antes, porque a cirurgia pode acelerar sua progressão. Entenda o que muda na cirurgia de catarata em diabéticos. Onde fazer exame de retina para diabéticos em Manaus?
O Dr. Diego Mascato (CRM-AM 8807 · RQE 4628) realiza avaliação completa de retina para diabéticos no Julia Herrera Hospital de Olhos, Adrianópolis, Manaus. Atende de segunda a sexta das 10h às 12h e das 13h30 às 19h30, e aos sábados das 8h às 12h. Agendamento pelo WhatsApp (92) 98639-6149.
Escrito e revisado por
Dr. Diego Lucena Mascato
CRM-AM 8807 · RQE 4628 — Oftalmologista Cirurgião
Graduado em Medicina pela UFAM, com residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM) e fellowship em Catarata e Glaucoma em São Paulo. Especialista em cirurgia de catarata com lentes premium, controle de glaucoma e remoção de pterígio. Mais de 10.000 cirurgias realizadas. Atende no Julia Herrera Hospital de Olhos — acreditação ONA Nível 3, Manaus – AM. Conheça a formação completa →
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem a orientação de um médico oftalmologista. Cada caso deve ser avaliado individualmente.