Por Dr. Diego Mascato · CRM-AM 8807 · RQE 4628
8 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026
“Parei o colírio porque a pressão tinha normalizado.” É uma das frases que mais ouço de pacientes com glaucoma — e uma das que mais custa visão.
A pressão normalizou porque o colírio estava funcionando. Interromper faz a pressão subir de novo, e o nervo óptico volta a ser danificado — sem dor, sem aviso, do mesmo jeito silencioso de sempre.
Este artigo é sobre a parte do tratamento que depende inteiramente de você: usar o colírio, todo dia, do jeito certo.
O que o colírio faz — e o que ele não faz
Os colírios para glaucoma reduzem a pressão dentro do olho, seja diminuindo a produção do humor aquoso, seja facilitando sua drenagem. Manter essa pressão num nível que o nervo óptico tolere é o que impede a progressão da doença.
O que o colírio não faz: recuperar o campo visual já perdido. As fibras do nervo óptico destruídas não se regeneram. O tratamento preserva o que resta — por isso cada mês sem controle é perda permanente.
Como pingar corretamente
A técnica importa mais do que parece. Boa parte do colírio pingado errado escorre para fora ou vai direto para a garganta, sem chegar onde precisa.
Passo a passo
- Lave as mãos antes de manusear o frasco
- Incline a cabeça para trás ou deite-se
- Puxe a pálpebra inferior para baixo, formando uma bolsinha
- Pingue uma gota dentro dessa bolsinha, sem encostar a ponta do frasco no olho, no cílio ou no dedo
- Feche o olho suavemente — sem apertar e sem piscar repetidamente, o que expulsa o colírio
- Pressione o canto interno do olho, junto ao nariz, por 1 a 2 minutos
Erros frequentes
- Pingar duas gotas “para garantir”. A superfície do olho comporta apenas uma; a segunda escorre e só acelera o fim do frasco
- Encostar a ponta do frasco no olho. Contamina o conteúdo
- Piscar várias vezes depois de pingar. Bombeia o colírio para fora
- Guardar em local quente, como o painel do carro. Alguns colírios exigem geladeira antes de aberto — confira o rótulo
- Usar colírio vencido ou aberto há muito tempo. Frascos com conservante costumam ter validade curta após a abertura
Mais de um colírio? A ordem e o intervalo importam
Se você usa dois ou mais colírios, pingar um logo após o outro faz o segundo lavar o primeiro.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Dois colírios no mesmo horário | Espere ao menos 5 minutos entre um e outro |
| Colírio e pomada | Colírio primeiro, pomada por último |
| Lente de contato | Retire antes, recoloque 15 minutos depois — salvo orientação diferente |
| Colírio lubrificante junto | Use após o colírio do glaucoma, respeitando o intervalo |
Esqueci a dose. E agora?
Acontece, e não é motivo para pânico — nem para dobrar a dose.
- Lembrou pouco depois do horário: pingue assim que lembrar e mantenha o horário habitual no dia seguinte
- Já está quase na hora da próxima dose: pule a esquecida e siga o horário normal
- Nunca dobre a dose para compensar. Duas gotas não reduzem mais a pressão e aumentam efeitos colaterais
- Esqueceu vários dias seguidos: retome e avise na próxima consulta. Isso ajuda a interpretar a pressão medida
Avise também se estiver esquecendo com frequência. Existem esquemas com menos aplicações por dia e combinações de dois princípios ativos no mesmo frasco. Trocar o esquema costuma resolver melhor que cobrar disciplina.
Efeitos colaterais: o que é esperado e o que precisa de aviso
| Comum e geralmente tolerável | Avise o médico |
|---|---|
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Os efeitos da coluna da direita podem indicar alergia ao medicamento ou absorção sistêmica relevante — situações que pedem troca de classe, não interrupção por conta própria.
Como não esquecer
- Ancore num hábito existente — escovar os dentes, o café da manhã, o noticiário da noite
- Alarme no celular, com o nome do colírio no texto do lembrete
- Frasco visível, junto da escova de dentes ou do café — não guardado na gaveta
- Marque num calendário ou aplicativo, se usa mais de um colírio
- Peça ajuda a alguém da casa se tiver dificuldade para pingar sozinho — mão trêmula e artrose atrapalham mais do que se imagina
- Renove a receita antes de acabar, para não ficar dias sem o medicamento
Perguntas frequentes
Posso parar o colírio se a pressão normalizou?
Não. A pressão normalizou porque o colírio está funcionando. Interromper por conta própria faz a pressão subir novamente e o nervo óptico voltar a ser danificado — sem que você perceba. Qualquer mudança no tratamento deve ser decidida em consulta.
Colírio para glaucoma é para sempre?
Na maioria dos casos, o tratamento é contínuo, porque o glaucoma é uma condição crônica. O esquema pode mudar ao longo do tempo — trocar de medicamento, associar outro, ou substituir por laser ou cirurgia quando o controle clínico não é suficiente.
Posso usar o colírio genérico?
Genéricos aprovados contêm o mesmo princípio ativo. O que pode variar é a formulação, incluindo conservantes, o que às vezes muda a tolerância. Se trocar de marca e sentir diferença no conforto ou notar variação nas medidas de pressão, relate na consulta.
O colírio de glaucoma pode afetar o corpo todo?
Sim, parte do medicamento é absorvida pela circulação. Betabloqueadores, por exemplo, podem reduzir a frequência cardíaca e agravar asma ou doença pulmonar. Por isso é importante informar todas as suas condições de saúde — e pressionar o canto interno do olho ao pingar, o que reduz essa absorção.
Vou operar catarata. Continuo o colírio?
Em geral sim, com orientação específica para o perioperatório. Glaucoma e catarata coexistem com frequência, e a presença de glaucoma influencia inclusive a escolha da lente intraocular. Nunca suspenda por conta própria antes de uma cirurgia.
Onde fazer acompanhamento de glaucoma em Manaus?
O Dr. Diego Mascato (CRM-AM 8807 · RQE 4628) fez fellowship em Catarata e Glaucoma e acompanha pacientes com glaucoma no Julia Herrera Hospital de Olhos, Adrianópolis. Endereço, convênios e agendamento.
O acompanhamento continua
Usar o colírio corretamente é metade do tratamento. A outra metade é medir se ele está sendo suficiente — o que só aparece em consulta, com medição da pressão, avaliação do nervo óptico, campimetria e OCT ao longo do tempo.
Pressão controlada em uma medida isolada não garante que a doença esteja estável. O intervalo entre os retornos é definido caso a caso, geralmente entre 3 e 6 meses para quem já tem diagnóstico.
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Escrito e revisado por
Dr. Diego Lucena Mascato
CRM-AM 8807 · RQE 4628 — Oftalmologista Cirurgião
Graduado em Medicina pela UFAM, com residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM) e fellowship em Catarata e Glaucoma em São Paulo. Atende no Julia Herrera Hospital de Olhos — acreditação ONA Nível 3, Manaus – AM.
Conheça a formação completa →Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a prescrição nem as orientações individuais recebidas na consulta. Não inicie, altere ou suspenda medicamentos por conta própria. Nomes de medicamentos, doses e intervalos devem seguir a receita do seu médico.